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Editorial Janeiro 2016

O Pai de misericórdia

 

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Misericordiosos como o Pai é o lema que nos orienta durante o jubileu da misericórdia.

 

Recorda-nos, em primeiro lugar, o ensinamento de Jesus no Sermão da Montanha, sobre o amor aos inimigos, chamando-nos a ser misericordiosos como o Pai. Assim seremos "filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até com os ingratos e os maus" (Lc.6,35-36). Neste sentido, a misericórdia é o nome do amor que supera todos os limites, para amar o próximo e os inimigos tal como Jesus, para compadecer-se do mais frágil e até do desconhecido tal como o bom samaritano, e para perdoar como o Pai do filho pródigo, abrindo sempre oportunidades de vida nova pois Deus não quer a morte do pecador mas que ele viva.

 

O lema do jubileu traz também o anuncio da boa nova: Deus é Pai, Deus é um Pai misericordioso. Aqui está o coração do evangelho. E apesar de ser tão simples, parece tão distante do coração do homem de hoje, e até dos crentes, porque a realidade do tempo atual parece anunciar mais a ausência deste Deus que é amor e pai. Nesta tensão entre o evangelho e a realidade está o maior desafio para fé, dizia o P. Kentenich. Um desafio que se deve converter em tarefa e missão: como Jesus, anunciar o Evangelho do Pai. Sob essa luz, encontramos a chave para tantas inquietações pois a miséria pessoal e do mundo, que é aparentemente um obstáculo para encontrar o Pai, torna-se caminho para descobrir a Sua misericórdia.

 

Este ano da misericórdia é, nesse sentido, uma oportunidade para redescobrir o rosto de Deus Pai, sobretudo de forma vivencial. Aconselha-nos o Papa Francisco a saborear a misericórdia de Deus para connosco, fazer memória do Seu amor e da Sua gratuidade para connosco; confessarmos agradecidos: "eterna é a Sua misericórdia".

 

No primeiro mês do ano 2016, em tempo de jubileu, poderíamos caminhar nesta direção, do encontro com o Pai de misericórdia. É um caminho a fazer com Jesus, é um dom que diarimente podemos pedir ao Espírito Santo que nos ensina a dizer "Abbá, ó Pai" (Rom,8,15), e é uma graça que Maria, Mãe de Misericórdia, nos concede no Seu Santuário.

 

Em Schoenstatt, este anuncio do amor do Pai sempre esteve presente e é uma riqueza da Aliança de Amor. A carta de Natal de 1965 e a publicação de textos do P. Kentenich sobre a misericórdia são testemunho disso. Deixamos aqui apenas dois excertos:

 

"Afirmamos continuamente que a missão específica de Nossa Senhora, aqui no seu santuário, consiste em abrir-nos para Deus Pai e educar-nos como verdadeiros filhos do Pai. Habitualmente, costumamos dizer que Nossa Senhora nos conduz a Jesus. Mas isso não basta. Os santuários de Schoenstatt são centros de educação da querida Mãe de Deus: ela nos conduz, em Jesus, ao Pai". (1961)

 

"Isto vale primeiramente da imagem de Pai que, para nós, foi sempre Deus como Pai de amor. (...) Sabíamos também que devíamos compreender este amor de Deus com o seu traço caraterístico de amor misericordioso. O que, no entanto, é novo para nós é a extraordinária grandeza deste amor misericordioso de Deus". (Carta de Natal, 1965)

 

Em síntese, o lema do jubileu da misericórdia nasce do âmago do Evangelho e abre-nos a duas perspetivas: desafia-nos a amar como Deus ama, saindo ao encontro do próximo. E também nos convida a fortalecer a relação filial com Deus nosso Pai, confiando na Sua bondade e descobrindo a Sua misericórdia que é fonte de alegria e esperança,

 

Ao inicio de 2016, peçamos a graça da misericórdia. Como está a nossa fé em Deus nosso Pai de misericórdia? Como fortalecer a Aliança de Amor com Ele? E como fazer da misericórdia a força do nosso amor?

 

Padre José Melo