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Nas origens da fundação de Schoenstatt em Portugal

 

In Revista Schoenstatt Cinquenta, 2010.

 

pmiguel2"Uma verdadeira Aliança de Amor, romântica, selada na penumbra da noite e com um cheirinho das catacumbas. A minha 'Amada' mostrou que conhecia bem o meu temperamento aventureiro e como eu era apreciador da noite." Assim fala o P. Miguel Lencastre da sua Aliança de Amor a 16 de Julho de 1960. Na sua vida e nos acontecimentos da fundação de Schoenstatt em Portugal, confirma-se que a história é feita de alianças e delas brotam vida em abundância. (...)

 

O primeiro português a fazer a sua Aliança de Amor foi certamente o António Lobo, seminarista palotino apadrinhado pela Família Lencastre. Foi no dia 22 de Agosto de 1959, no santuário original, em Schoenstatt. (...)

 

Poucos dias depois, certamente como fruto espiritual daquela Aliança, a Mãe e Rainha conquistará um novo aliado. O jovem Miguel Lencastre acedendo ao pedido de sua mãe que andava preocupada com a vida boémia do filho que estava a estudar na Suíça, decide ir visitar o António Lobo na Villa Therèse em Friburgo.

 

A 12 de Setembro, pelo contacto com os chilenos, com a sua forma de viver a fé e o seu amor a Maria, o Miguel Lencastre vê brotar o mundo religioso que levava dentro e a graça de Deus actua com força ocorrendo uma verdadeira conversão. Conta ele nas suas memórias que naquele dia, entre cânticos e oferecimentos a Nossa Senhora, vai-se dando conta que Ela é uma presença verdadeira e assim, quando ele próprio decide oferecer um cigarro que já não iria fumar, entra numa relação que lhe mudou a vida. Três dias depois escrevia ao seu irmão Paulo a contar que tinha decidido ser padre.

 

Estaria o Miguel louco? A sua irmã Margarida conta-nos que a pergunta espontânea na sua família pela surpresa duma decisão tão imprevisível, logo se transforma numa oração para agradecer e cantar as misericórdias do Senhor. As consequências do que aconteceu com o Miguel Lencastre seriam determinantes para a fundação de Schoenstatt em Portugal.

 

Nas memórias recentemente publicadas pelo P. Miguel podemos conhecer mais pormenores desta história na qual se vão sucedendo outras alianças. Em Janeiro de 1960 também a Margarida viaja até à Suíça para conhecer o que é Schoenstatt e o que tinha acontecido com o seu irmão Miguel. No dia 13 desse mês também ela faz a sua Aliança de Amor no santuário original, e depois de regressar a Portugal acompanha a Aliança dos seus pais, feita na capela da Casa da Torre, em Paços de Ferreira. Na sequência desse acto, D. José de Lencastre (pai de Miguel e Margarida Lencastre) oficializa o pedido para que o Instituto Secular Nossa Senhora de Schoenstatt venha fundar o Movimento em Portugal.

 

Aliança de Amor na calada da noite

Quanto ao Miguel, depois de uma longa viagem pelo Brasil e Chile para conhecer mais o Movimento, regressa em Abril fazendo o pedido para entrar no noviciado dos palotinos em Friburgo. Pouco tempo depois, faz a sua Aliança de Amor, assim descrita por ele:

 

"A data de 16 de Julho foi escolhida em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Chile.
É que além de eu ser um dos Seus grandes devotos, também quis homenagear a Padroeira desse Povo, donde saíram alguns dos chilenos que tanta influência tiveram no meu sacerdócio.
Como o P. Augusto tinha que estar nesse mesmo dia 16 em Fribourg para atender espiritualmente os estudantes chilenos que seriam ordenados no dia seguinte, só restava uma solução. Aproveitar a madrugada de 16 indo apanhar o comboio pelas 5 da manhã. Assim se fez.
Ainda a 15, entrei no Santuário com grandes cautelas. Ninguém me podia ver na calada da noite. Já passava das 23. Tudo decorria de luzes apagadas, no mais rigoroso silêncio e tudo feito às ocultas, sem o mínimo conhecimento dos donos do Santuário. E a cerimónia decorreu quase às escuras e em voz muito baixinha. Apenas o foco de uma lanterna nos permitia ler. Do lado de fora, ninguém podia suspeitar da ocorrência. Foi uma experiência inédita.
Uma verdadeira Aliança de Amor, romântica, selada na penumbra da noite e com um cheirinho das catacumbas. A minha 'Amada' mostrou que conhecia bem o meu temperamento aventureiro e como eu era apreciador da noite."

 

 P. Miguel Lencastre, Um Sim decisivo, 2010.